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Dimensões Da Organização

Neste podcast, Oscar Motomura comenta sobre a importância de se ter uma visão 360 graus da organização e de se criar um repertório de soluções altamente eficazes considerando o contexto como um todo.

Nos momentos difíceis e de grandes desafios que nós estamos vivendo, podemos ter pessoas com enorme boa vontade, muita energia para frente, querendo resolver, querendo ajudar, mas muitas vezes as pessoas não estão preparadas para lidar com a complexidade da situação, falta o que chamamos de repertório. A pessoa não adquiriu ainda a experiência suficiente para ter um repertório de formas de lidar com as questões que estão chegando, de grandes desafios.

Como é que se desenvolvem esses repertórios? Primeiramente, é fundamental que estejamos conscientes de que toda questão tem várias dimensões diferentes, que interagem entre si. Por exemplo, em toda organização existem dimensões técnicas, dimensões políticas e dimensões culturais. Se a gente pega essas três variáveis – técnico, político e cultural – e tem forma algo como uma matriz que é o estratégico, operacional, e humano/de relações, temos aí nove cruzamentos, e é fundamental que nós tenhamos repertório para atuar em todos esses cruzamentos, significa que nós temos que lidar com aspectos técnicos e estratégicos, temos que nos preparar para lidar com isso.

Tenho certeza que muitos vocês têm muita técnica, mas sem o político, ela está manca, ou seja, só o técnico não resolve tudo o que temos, aliás, resolve pouco porque as questões mais difíceis são de natureza política: o que lida com poder, o que lida com resistências, o que lida com influência (algumas pessoas têm mais influência do que outras). Como é que se lida com as questões de influência, poder, e as questões políticas que existem em toda organização, em toda sociedade?

É preciso que nós tenhamos repertório e uma formação em política para saber lidar com o nosso poder e o poder dos outros, com a nossa autoridade e a autoridade dos outros. É isso que nos faz ficar mais redondos e com o repertório maior para lidar com todas essas questões políticas que estão o tempo todo ao nosso redor.

O mais comum é que a pessoa tenta resolver pelo lado técnico, não consegue por causa das barreiras políticas e reclama que não deu certo por causa das barreiras políticas, ou seja, não tem repertório para lidar com as questões políticas. E tem a questão cultural. Em grandes organizações, percebemos uma diferença enorme de modelos mentais, ou seja, pessoas que têm cabeças diferentes. Um modelo mental significa que a pessoa tem premissas, crenças, valores diferentes uns dos outros. Tem pessoas que têm o repertório para lidar com aspectos culturais porque entraram fundo nessa questão como sendo uma coisa muito relevante em gestão, estratégia e liderança. Então, na medida em que nós temos um domínio muito técnico, repertório para lidar com aspectos técnicos, políticos e culturais, aí nós lidamos com as questões estratégicas pelas três dimensões, porque nas questões estratégicas existem aspectos técnicos, aspectos políticos e aspectos culturais.

Exemplo: se nós falamos de aspectos estratégicos, nós temos que lidar com aspectos políticos, ou seja, quem é que influencia mais na tomada de decisões estratégicas? Nem sempre é a pessoa com maior autoridade formal, muitas vezes, por causa do conhecimento que as pessoas têm, elas têm maior poder de influência. Até que ponto as diferenças interculturais ou culturais definem, por exemplo, as escolhas estratégicas? Se eu tenho uma cultura altamente competitiva, vou escolher estratégias que são altamente competitivas, é claro; mas se eu tenho uma estratégia altamente cooperativa, eu vou escolher estratégias de parcerias e uma série de coisas assim. Entender a complexidade nos faz buscar repertórios e estudar assuntos que nos ajudam a resolver as questões nessas dimensões técnica, política e cultural da melhor forma possível, senão a gente não tem repertório para lidar com essas questões.

Por outro lado, tem as questões estratégicas e operacionais. Em organizações altamente técnicas, nós temos muita ênfase no operacional e no técnico, mas mesmo no técnico existem também aspectos políticos. O operário deveria ter autoridade para decidir em certas circunstâncias? Essa é uma questão altamente polêmica, sensível e de enorme importância no momento que nós estamos vivendo hoje. Nós estamos precisando de muita participação de todos, precisamos inclusive dos próprios operários na linha de frente para segurar uma produtividade muito maior do que sempre tivemos. Esse é o desafio que nós temos hoje.

Também existem aspectos culturais dentro do operacional, por exemplo, há pessoas que têm uma mentalidade muito mecânica, hierárquica, de comando e controle, que vão definir processos operacionais que são mecânicos e de operários obedientes. Por outro lado, se eu estou em um modelo mental de uma cultura muito mais biológica, eu estarei honrando todas essas diferenças que existem na própria operação, trazendo o melhor das pessoas e fazendo com que isso tudo faça com que a produtividade seja muito maior do que o normal.

Por outro lado, se a gente leva em conta aspectos humanos e organizacionais, mais uma vez temos que levar em conta os aspectos técnicos, os aspectos políticos e também os culturais. Então, na verdade, ter essa visão 360° nos faz buscar uma formação mais redonda, de forma que eu consiga lidar com todas essas questões diferentes, em dimensões diferentes, com grande competência.

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