• podcasts •

Modelo Mental

Como é seu modelo mental? Como lidar com os diferentes modelos mentais?

Neste podcast Oscar Motomura explica o conceito de modelo mental e seu impacto nas relações pessoais.

Em meu contato com executivos de grandes organizações existe uma peculiaridade que talvez poucos saibam, algo que eu não consigo deixar de fazer que é: o tempo todo, ao conversar com uma pessoa, estou me perguntando, “quem é que está falando comigo?”. E a outra correspondente é “quem é que está ouvindo, que parte de mim está ouvindo essa pessoa?”.

É uma coisa curiosa em certo sentido, mas tem tudo a ver com o que nós precisamos trabalhar nas nossas organizações sobre cultura organizacional. Temos uma diversidade cada vez maior de pessoas em nossas organizações, temos uma diversidade cada vez maior de interlocutores, temos uma diversidade cada vez maior de stakeholders – pessoas que têm interesse em nossa organização, de alguma forma, e que contribuem para o seu sucesso ou para o seu fracasso. Então, essa diversidade toda, que até pode virar um grande chavão nas nossas conversas, representa o quê exatamente?

O que eu gosto de ter no meu foco de atenção é que nós estamos falando de diversidade e modelos mentais, ou seja, diversidade de softwares culturais. Todos nós temos dentro de nós um software que foi desenvolvido cuidadosamente desde que nascemos, e dentro desse software, que pode ser mais refinado ou mais bruto, adicionamos várias coisas na forma de premissas, na forma de conhecimentos, na forma de referenciais, e até trazemos para dentro algumas coisas que são geradas, verdades e crenças que são geradas por coisas muito boas que aconteceram a nós – nossa trajetória de vida – e coisas que não foram tão agradáveis – os tais traumas que nós passamos em alguma fase da nossa vida. Tudo isso está dentro de um software que representa um jeito de enxergar o mundo, um jeito de olhar a realidade, um jeito de pensar, um jeito de resolver problemas, que são as nossas verdades, crenças e premissas sobre os mais variados assuntos com os quais lidamos no nosso dia a dia, premissas e crenças sobre a vida no sentido mais amplo, premissas e crenças sobre gestão, sobre liderança, sobre relacionamento, sobre como tomamos decisões, como devemos tomar decisões no nosso dia a dia, crenças que nos levam até a virar ativistas de um certo partido ou adeptos de uma certa religião. Tudo isso faz parte de nosso mundo interno e da estrutura que nós temos, que nós podemos genericamente chamar de modelo mental. Todos nós temos isso.

Quando eu digo “quem é a pessoa que está falando comigo?”, a pergunta poderia ser reformulada como “que modelo mental está prevalecendo na pessoa, naquele momento?”, ou “que parte do modelo mental dessa pessoa está interagindo comigo?” e a correspondente questão reformulada seria “que parte do meu software está se relacionando com que parte do software do outro?”. Essa é uma questão intrigante, mas é fascinante do ponto de vista de relacionamento entre as pessoas. Como é interessante também que nós temos uma capacidade extraordinária de sintonizar parte do nosso software ou até desligá-lo. Por exemplo, se eu não estou em um dia muito bom, talvez uma parte do meu software, que tenha muitas premissas e crenças sobre situações difíceis e desagradáveis, pode estar ativada naquele momento em que eu estiver conversando com uma determinada pessoa e se, dependendo do humor que também pode condicionar a mobilização de certas partes do software do outro, isso estimular essa parte que já está um pouco mais sensibilizada neste momento do relacionamento do meu lado, é possível que haja um curto-circuito representado por algo que vai fazer a temperatura subir ou até por um diálogo que poderia ser extremamente conflitivo, poderia ser algo mais para o lado destrutivo.

Essas coisas todas podem acontecer no nosso dia a dia, todos esses comportamentos e todas essas situações que são criadas estão intimamente ligadas ao modelo mental e à parte desse modelo mental que está sendo ativada naquele momento.

Por outro lado, existe uma coisa mais ampla que é todo esse arcabouço do software que carregamos dentro de nós e que é muito diferente dos outros. Talvez uma das coisas que poderíamos mais fortemente associar à evolução de uma pessoa ou de um profissional é o polimento e o refinamento desse software que todos nós carregamos.

Dentro dessa ideia, evolução significa o polimento desse arcabouço. E como é que esse arcabouço pode ser polido? De um lado, pela prática, pelas tentativas e erros, das coisas que dão certo, das coisas que dão errado; e, principalmente, quando nos dispomos a evoluir e nos dispomos a refletir sobre as experiências pelas quais passamos ou que nós geramos. Depois a gente pensa e diz “poxa, não foi uma coisa muito boa, eu talvez tivesse tido a oportunidade de fazer diferente”. Essas reflexões é que nos levarão a um certo tipo de aprendizagem, que leva ao polimento desse software. Poderíamos associar, em um certo sentido, a evolução como sendo o polimento desse software e se nós também imaginarmos que os nossos softwares podem ter naturezas muito diferentes da de outra pessoa (eu posso ter um software extremamente mecanizado e mecanicista e um outro ter um software mais biológico, mais descontraído, mais solto), na medida em que eu encontre pessoas com softwares diferentes do meu, tenho a oportunidade também de fazer uma comparação e de ver o que é que faz mais sentido. Nesse sentido, mais uma vez, temos que dizer “bom, faz mais sentido ou menos em relação a quê?”.

Para finalizar essa reflexão, talvez exista um referencial maior em relação a tudo isso que é: nós não somos o nosso modelo mental. Quando dizemos “se nós observarmos o modelo mental do outro ou nós nos propomos a pensar sobre essa ideia de quem é essa pessoa que está se relacionando comigo” ou “que parte do seu software está relacionando comigo?”, tem alguém analisando isso? Gosto também de imaginar que eu tenho um software, a outra pessoa tem um software, mas que há uma parte de mim que é o programador desse software. Se nós transcendermos o software e nos imaginarmos como uma relação entre programadores, se nós – o programador dele e o programador que está aqui – entrarmos em um acordo, talvez não haja limites para o que podemos realizar de evolução no próprio arcabouço do nosso modelo mental para fazer com que esta relação seja a mais produtiva, a mais eficaz na busca de alguma coisa comum.

Essa é a reflexão que eu gostaria de deixar neste momento, neste segmento, porque as coisas que são trazidas a nós através de insumos, através de informações, através de conhecimentos, através de impressões dos nossos assessores, dos consultores, das pessoas que trabalham conosco, serão sempre vistas através de um olhar que pode ser de nosso software, pode ser um olhar de alguém que está buscando aperfeiçoar esse software e está querendo aprender a cada oportunidade, ou pode ser também a partir do olhar do programador que está vendo naquele insumo um potencial para algo que transcende inclusive o software existente hoje.

Parece uma coisa muito complexa e o convite que eu colocaria neste momento é que talvez esteja em áreas como essas (que parecem complexas e distantes do nosso dia a dia) a semente para que todas essas coisas com as quais estamos acostumados a lidar, possam ser trabalhadas, possam ser solucionadas de uma forma muito mais fluente e significativa no nosso dia a dia.

conheça os nossos programas

Siga a amana-key

© todos os direitos reservados | grupo amana-key

Política de Privacidade