• podcasts •

Novas Formas de Educar

Como assegurar que no Brasil em menos de um ano todas as crianças em idade escolar passem a receber educação de alta qualidade sem qualquer incremento no orçamento? Neste podcast bastante provocativo, Oscar Motomura nos faz refletir sobre novos formatos de educar e como podemos repensar o modelo da educação desde sua raiz.

Suponha que todos nós sejamos estimulados com uma equação que é a seguinte: como assegurar que no Brasil, em menos de um ano, todas as crianças em idade escolar passem a receber educação de alta qualidade sem qualquer incremento no orçamento que hoje é dedicado à educação?

Quando eu coloco essa pergunta, imagine quantos impossíveis ouvimos, orçamento, tempo... Tem gente que fala que teremos que investir algumas gerações para chegar lá. Alta qualidade? Nós estamos longe disso. Há resistência de tudo quanto é tipo, mas aí eu convido as pessoas a pensar junto e começamos a pensar um pouco assim: primeiro, tem gente que pode nos mostrar que existe uma deficiência enorme de salas de aula no país (primeira resistência), até aparecem os números de quantos bilhões serão necessários para assegurarmos que o número de salas de aula do país atinja o número ideal e necessário. Essa é uma questão que podemos começar a quebrar mexendo no jeito que pensamos. Existe uma trava que nos impede de chegar à solução e essa trava é: a educação só acontece em sala de aula. Sabemos que não. A educação acontece de tudo quanto é jeito, pode acontecer em um parque, pode acontecer em uma conexão entre amigos, pode acontecer em casa, pode acontecer pela internet. Há “n” formas em que a educação pode acontecer. Então, mesmo imaginando que há deficiências, eu digo, espaços para aprendizagem não faltam neste país. Tenho certeza que há uma grande quantidade de imóveis que estão por aí sem uso e podem ser destinados à educação. Se fizermos uma comunicação geral, nós haverá muita gente que vai oferecer espaços que não usam. Podemos ter armazéns por aí que estão inúteis, que não estão sendo utilizados e podem ser oferecidos para a educação, isso além de cinemas que não são ocupados de manhã e poderiam ser espaços de extraordinária qualidade oferecidos para a educação, cinema durante a manhã. Então, se começamos a pensar sobre isso percebemos que talvez não temos a necessidade de salas de aula porque esses espaços existem no país. E se levarmos ao extremo, poderíamos dizer que educação de alta qualidade pode acontecer embaixo de uma árvore no parque. E aí de repente podemos dizer que é altamente viável que, em um ano, asseguremos que esses espaços estejam disponíveis para todas as crianças em idade escolar no Brasil.

A outra trava que pode existir é a quantidade de professores preparados. Aí percebemos que, se fizermos as estatísticas, veremos que faltam professores. Com certeza, sabemos disso. Existem pessoas que nem estão formadas ainda –às vezes nem no primário – e que estão dando aula em alguns lugares do Brasil. Se começamos a pensar nisso e começamos a pensar na quantidade de professores formados, em quanto tempo vai levar, a equação fica cada vez mais difícil. Mas vamos pensar por outro lado, em pessoas que podem ajudar no ensino de crianças, vamos imaginar a força que um princípio pode ter. E o princípio pode ser assim: quem sabe, ensina. Tão inerente a quem sabe está a responsabilidade de ensinar a quem não sabe.

Se esse princípio for utilizado de forma bastante ampla na sociedade, temos situações assim. Vamos começar pelas pessoas que já se aposentaram, pessoas excepcionalmente bem formadas, que estão disponíveis e teriam um enorme prazer em contribuir para a educação de base no Brasil, poderiam colocar toda a sua experiência, isso daria significado à vida. E para as pessoas que dissessem “mas eles não são professores”, bastaria pôr um treinamento muito rápido e essas pessoas estariam em condições de dar aula, de ajudar na educação de base de “n” formas, mobilizando uma energia extraordinária viva. Já tem uma quantidade enorme de pessoas que podem ser mobilizadas aí.

Por outro lado, nós podemos olhar as pessoas que já estão cursando o nível universitário. Esses universitários podem ajudar também na educação de base? Podem. Temos uma quantidade enorme e crescente de universitários que teriam um enorme prazer em ajudar e isso seria um complemento extraordinário para a formação desses universitários – dedicar parte do seu tempo para ajudar na educação de base. Não precisa nem ficar bolando leis que determinem que no 5º ano ou no 6º ano o jovem estará disponível para a educação de base. Podemos pensar em “n” formas de conciliar essas coisas de forma que sejam satisfatórias para todos. E vamos descendo nessa escala universitária de vários níveis, ajudando na educação de base. Aí, olhamos a educação de base, pensamos no princípio “quem sabe, ensina” e daqui a pouco as pessoas que estão em um nível colegial tem condições de ajudar na educação de base, e a gente vai descendo... É impressionante o contingente que podemos mobilizar de pessoas, inclusive dentro do 1º ano. De repente, o menino que sabe, que tem mais facilidade com aritmética, ensina o que tem mais dificuldade; a menina que conhece mais ciência vai ajudar a outra com mais deficiência. Até na mesma faixa de idade nós podemos ter aplicação do “quem sabe ensina”. A partir desse tipo de metodologia, podemos ter muito mais educadores ajudando no processo todo e isso pode ser um fator de crescimento extraordinário para todos os envolvidos, até na formação dos próprios professores que estão atuando. De repente, isso pode ser algo de fundamental importância.

Nós estamos falando de educação presencial, que talvez seja o melhor contexto para que esses valores (a cultura, a formação de cidadãos) possam ocorrer. Agora, imaginem veteranos, aposentados, pessoas extremamente conscientes ajudando a formar os cidadãos do futuro. Aqui, nós estamos usando o conceito fantasticamente importante da comunidade que toma conta das gerações que estão chegando e ajudam na formação desses jovens. Pode ser algo extraordinariamente importante.

Na medida em que esse raciocínio vai avançando, percebemos que estamos olhando a equação impossível e a equação original já não está tão impossível como aparentava ser no começo. Essa é a grande mágica do processo, mas, uma vez que isso seja viável, precisa haver um grande envolvimento de pessoas, especialmente de pessoas que queiram tocar toda essa ideia. É nesse sentido que podemos contar mais uma vez com os estímulos para os jovens criativos desse país, especialmente paras as pessoas que querem dar significado às suas vidas (que já estão afastadas dos trabalhos originais que desenvolviam) e, de repente, ser algo muito ganha-ganha para a sociedade como um todo. Todos os envolvidos vão ajudar, vão crescer muito também como seres humanos e cidadãos, e essa força que estava parada pode ser mobilizada de uma forma extraordinária e, de repente, aquela equação que parecia extremamente ambiciosa de assegurar que todas as crianças do Brasil em idade escolar estejam recebendo uma educação de alta qualidade daqui a um ano, parece que ficou viável, muito viável. Esse é o tipo de coisa que se aplicarmos inclusive à evolução ética das pessoas, é impressionante os resultados que nós podemos conseguir.

outras publicações Amana-key

podcasts

Avalanche
de informações

Ouvir >

(ver a lista completa)

vídeos

Oscar Motomura
na TV Senado

Assistir >

(ver a lista completa)

artigos

Líderes Certos
nos Lugares certos

Ler >

(ver a lista completa)

conheça os nossos programas

Siga a amana-key

© todos os direitos reservados | grupo amana-key

Política de Privacidade