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Preparação para 2016 com Oscar Motomura

Oscar Motomura traz reflexões sobre os desafios de 2016.

Feliz 2016. Quantas vezes podemos ouvir esse cumprimento nos próximos dias? Talvez a gente até sorria e retribua, mas ficaremos pensando com nossos botões: será que 2016 vai ser um ano feliz?

Olhando ao redor, parece que tudo indica que não. Talvez esse cumprimento leve a uma série de comentários e brincadeiras que depois se transformem em queixas sérias sobre tudo o que nós estamos vivendo no país, em nossas organizações, em todo lugar.

Tenho feito palestras em vários fóruns com líderes, executivos, pessoas de todas as áreas –pública e privada – e tenho ouvido todas essas queixas. Então eu faço uma empatia e falo do que não está bem, mas concluo dizendo, “pessoal, parece que está desabando, não é mesmo?”. Todo mundo balança a cabeça e confirma com vigor. É aí que eu entro e pergunto, “mas pessoal, vamos pensar juntos: o que é que está desabando?”.

O que está desabando é um sistema doente, um sistema ruim, um sistema com um monte de brechas para ações subterrâneas e uma série de coisas, de jogos de aparências que nos dão um sinal de que nunca as coisas serão resolvidas. Mas esse é um sistema que está desabando e, nesse sentido, é uma boa notícia, é algo que talvez nos faça pensar que 2016 será um bom ano se passarmos a ser muito mais ativos. A pergunta crítica é: “se o sistema doente está desabando, a quem cabe a responsabilidade de criar um sistema bom, um sistema sadio, um sistema com o qual todos nós sonhamos?”.

Então, nós estamos no momento de trabalhar nossa motivação, olhar as coisas por outro ângulo, ver a boa notícia que é o sistema doente que está indo embora, arregaçar as mangas e participar. O que estamos precisando nesse país é mais participação. E não é uma participação que esperamos que os líderes do país nos concedam. Nós estamos em uma democracia e o que é fundamental em uma democracia é o cidadão que participa. Precisamos assegurar que mais e mais pessoas estejam participando dos destinos do país. Mas fazendo o quê? Essa é uma pergunta que às vezes incomoda porque as pessoas dizem, “eu quero participar, o que eu devo fazer?”. Talvez não seja uma pergunta de um cidadão que está sabendo do que acontece porque se a pessoa souber, com profundidade, o que está acontecendo, sabe o que deve e o que pode fazer a partir do ponto em que está na sociedade.

Reforma política? Reforma econômica? Eu acho que nós não estamos interessados em melhorar simplesmente um sistema que não está bom, um sistema viciado e superado. É nesse sentido que precisamos de muita energia, de muita gente, um verdadeiro mutirão no país para fazer com que consigamos desenhar – e muito rapidamente – um novo sistema. E não só isso. Através da alta motivação, pisar no acelerador. Não é simplesmente puxar o breque. Se todo mundo do país puxar o breque, em um estado de energia baixa, vocês imaginem para onde é que nós vamos. Essa é uma reflexão que parece que todos nós precisamos colocar em nossas mesas, em diálogos com nossos amigos, nossos colegas, nossas equipes, para que consigamos realmente começar a visualizar os caminhos que levarão o país em direção ao seu destino.

Participar como e em quê? No momento em que nós começamos a pensar sobre isso, temos que partir da ideia de que todo problema tem uma solução, basta olhar para o que nós vivemos até hoje. Já passamos por vários momentos difíceis, enfrentamos barreiras, enfrentamos crises – essa não é a primeira crise que temos no Brasil, passamos por muitas crises – e todos nós superamos. Não só crises do país, mas em nossas próprias vidas. E fazemos uma retrospectiva e pensamos, “como é que eu consegui passar por essas barreiras?”. É isso que renova nossa energia e nos faz encarar os problemas de uma forma muito natural. E para essa pergunta “o que é que a gente deve fazer?”, precisamos primeiramente enfrentar os problemas que existem e temos que ir atrás das soluções, ou seja, nossa atitude tem que ser pró-soluções.

Nós costumamos trabalhar, em nossa organização, com o conceito de equações impossíveis. Aliás, gostamos disso, somos desafiados por equações impossíveis, ou seja, equações que todo mundo diz que não tem solução. Essas são as mais estimulantes porque essas são as que provocam a nossa criatividade ao extremo. É isso que faz com que geremos inovações radicais, inovações que vão à raiz dos problemas, e é isso que faz a sociedade inteira andar.

Hoje, nós estamos em um momento em que precisamos encarar tudo o que nós temos ao nosso redor pela perspectiva de equações impossíveis que nos desafiem em nossa engenhosidade e em nossa criatividade. Vocês já ouviram falar que usamos muito pouco o potencial criativo que temos. A engenhosidade humana é uma das qualidades mais desperdiçadas, mais abundantes e mais desperdiçadas do mundo. Por que é que essa criatividade, essa engenhosidade é desperdiçada? Por sistemas obsoletos que nos abafam, que nos impedem de ir até o limite do que nós temos condições de fazer. Muitas vezes essas estruturas são obsoletas, hierárquicas, de comando e controle e é, na verdade, um sistema de liderança e gestão que faz com que haja esse desperdício todo do talento humano. É isso que nós precisamos reverter, precisamos resgatar a participação em nosso país. E não é ficar esperando que essa participação venha a nós, precisamos conquistar, precisamos reconquistar esses espaços e, nesse processo de reconquista, estaremos trabalhando a nossa própria motivação e a nossa criatividade vai chegar a níveis que talvez surpreenda até a nós mesmos. É por aí que nós vamos achar soluções para a crise que estamos vivendo hoje. E podemos superar essas crises todas de forma muito rápida se estivermos trabalhando juntos, todos juntos, da Administração Pública e da iniciativa privada, em conjunto e não só esperando que soluções milagrosas venham de alguém. Temos que criar porque nossa inteligência coletiva está sendo desafiada nesse momento.

Sempre há um ângulo diferente com o qual podemos enxergar a realidade. As pessoas ficam um pouco assustadas quando, em algumas palestras, eu digo que estamos hoje nessa situação, no país, por causa das pessoas do bem. Se pensarmos bem, existem pessoas do bem que estão o tempo todo omissas, em silêncio, veem o problema acontecer, a corrupção andando pelos papéis que passam pela sua mesa e ficam em silêncio, então são pessoas do bem que acabam se tornando coniventes com os problemas que afetam a vida de milhões de pessoas do país. Por outro lado, há pessoas que não se posicionam em relação à coisa alguma, são as pessoas que estão o tempo todo em cima do muro, mas que observam, veem, criticam, falam mal das pessoas, apontam o dedo, mas elas próprias estão sobre o muro. São pessoas do bem que causam os problemas do país.

As equações impossíveis naturalmente levam a reinvenções, ou seja, não faz sentido tentarmos melhorar um sistema superado, um sistema obsoleto. Nós podemos, usando toda a tecnologia e todo o conhecimento disponível no século XXI, fazer com que, a partir de uma folha em branco, criemos o sistema sadio que precisamos em nosso país.

Então, hoje é um momento de reinvenção. Não é um momento de reforma fiscal, de reforma política, não é momento de reforma nenhuma porque reforma traz essa conotação de reformar uma roupa velha, reformar um carro antigo e assim por diante, quando na verdade nós temos que criar algo completamente novo, que incorpore todo o conhecimento e a tecnologia do século XXI, inclusive a própria democracia.

Nunca tivemos condições como temos hoje de fazer a democracia direta funcionar, resgatar o senso de comunidade e fazer com que a população inteira esteja discutindo o destino do país. Qual é o projeto de país que queremos? Qual é o papel do Brasil dentro da comunidade mundial? Qual é o propósito desta nação? Não é simplesmente trabalhar o PIB, não é só trabalhar a economia, a economia é só uma faceta da vida em sociedade. Precisamos fazer com que o nível de felicidade geral e bem-estar das pessoas esteja lá no topo, mais do que qualquer coisa. Não faz sentido estarmos sempre entre as dez maiores economias do mundo e quase estarmos em centésimo lugar em IDH, se somado à desigualdade que temos no país. Não faz sentido, tem alguma coisa que mais uma vez reflete o sistema doente em que nós vivemos aqui. Então, se nós tivermos um projeto de país que coloque o bem-estar de todos em primeiro lugar, teremos todos, coletivamente, condições de criar soluções fantásticas e altamente inovadoras para viabilizar tudo isso muito rapidamente.

A partir de reformas e reflexões como esta, talvez a gente consiga ouvir o “Feliz 2016, feliz ano novo” e ter uma outra perspectiva desse ano que se aproxima. Então, feliz 2016!

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