• podcasts •

Sistema Representativo e Evolução da Sociedade

Nessa história contada por Oscar Motomura somos instigados a refletir sobre o propósito de sistemas representativos.

Vamos supor que nós temos 90 pessoas, 90 famílias, ficamos superamigos e de repente resolvemos mudar de vida. Achamos que esse negócio de viver em grandes cidades não está com nada e aí juntamos nossas economias e compramos uma gleba de terras em algum lugar do país. Todo mundo se muda de mala e cuia, levando a família para esse lugar. Na organização, logo montamos um lugar bem no centro da gleba de terras em que construímos uma série de coisas como, por exemplo, uma churrasqueira para a comunidade inteira se reunir para conversar e tomar decisões em conjunto. Marcamos que em todo sábado a comunidade se reúne, as crianças também participam e têm voz. Elas querem campo de futebol, quadra disso, quadra daquilo. Também decidimos como vai ser a produção: algumas famílias produzem verduras e legumes, criação disso, criação daquilo, tem um processo de escambo, de troca e a gente começa a definir como é que vamos operar.

Todo mundo é produtivo. Todo mundo é produtivo, está fazendo alguma coisa pela comunidade. No churrasco de sábado, a comunidade inteira se reúne lá e tomam-se decisões relevantes, inclusive como é que vai ser a questão da energia, como é que vai ser a questão da água e tudo mais. A comunidade começa a evoluir, a crescer e de repente está ficando muito próximo da comunidade dos nossos sonhos, estamos todos muito felizes.

Só que essa comunidade não é fechada e nós estamos em contato com todas as pessoas que são amigas de todos aqui e que não foram. E começamos a falar das maravilhas desse lugar que criamos. O que é que começa a acontecer? Todo mundo quer ir. Então, imagine 90 pessoas, cada uma dizendo “então, vem”. Esse negócio começa a crescer, crescer, crescer e daqui a pouco as reuniões de sábado já não dão porque tem muita gente, muita gente. E aí alguém tem uma ideia ótima e diz: “não está dando para conversar mais, é muita gente. Então, vamos fazer o seguinte: as 20 famílias daqui de perto do rio escolhem dois representantes; o pessoal lá de depois da montanha, escolhem dois representantes”. Então, não é mais todo mundo que vai lá, mas cada 20 famílias elegem dois representantes e agora o churrasco de sábado não é mais com todo mundo, só com os representantes.

No começo a coisa funciona bem, os representantes estão conversando, mas antes de ir para a conversa eles falam com as 20 famílias que representam e a coisa funciona muito bem. Mas depois, as visitas às 20 famílias começam a rarear. Alias, daqui a pouco tem representante dizendo “não preciso ir toda hora lá, eu já sei do que eles precisam”. E as visitas começam a rarear e daqui a pouco tem outros representantes dizendo “eu já sei do que eles precisam, aliás, eu sei do que eles precisam melhor do que eles mesmos”. A essa altura, já elegeram o líder dos representantes. Então a coisa começa a andar, as distorções começam a acontecer e se ninguém fizer nada, a próxima geração vai começar a ouvir umas historinhas de churrasco de sábado que acham que é uma lenda – “ah, eles contam essas histórias, mas não sei se aconteceu...”. Já para a terceira geração, é lenda mesmo.

Uma coisa interessante que está acontecendo é que, quando os representantes passam pelas ruas, aliás, antes disso, os representantes estavam indo bem, começam a acontecer distorções, mas na verdade, muito antes disso, quando eles ainda estavam trabalhando bastante, eles acham que têm muito trabalho (esqueceram que todos são produtivos), então eles dizem “olha, está dando muito trabalho, não tá dando, vamos precisar de salário”. Mas eles vão dizer que, “primeira coisa, não dá mais pra fazer as duas coisas, vamos parar de produzir e vamos só ser representantes em tempo integral e precisamos ser recompensados por isso, porque não temos o que trocar”. Aí começa esse negócio de salário, alguma coisa nessa linha, aí os representantes ficam representantes em tempo integral e a coisa começa bem e depois vai se distorcendo, distorcendo e na geração seguinte ninguém mais sabe o que era.

O mais interessante é que passa lá o representante e eles cumprimentam a autoridade, se passa o líder dos representantes, então, a gente só falta ajoelhar para cumprimentar a autoridade. Alguma semelhança com o que acontece nas democracias?

Uma coisa que daria para mudar seria a primeira geração, a geração que começou essa comunidade, que participava das reuniões de sábado, esse é o grupo que poderia ter dado uma brecada nesse negócio, no começo, quando os representantes começaram a não mais visitar os representados, essa era a hora do grupo original dizer “alto lá, o que está acontecendo aqui?”, e brecar esse negócio. Porque, afinal, quem são essas autoridades? São representantes nossos.

outras publicações Amana-key

podcasts

Avalanche
de informações

Ouvir >

(ver a lista completa)

vídeos

Oscar Motomura
na TV Senado

Assistir >

(ver a lista completa)

artigos

Líderes Certos
nos Lugares certos

Ler >

(ver a lista completa)

conheça os nossos programas

Siga a amana-key

© todos os direitos reservados | grupo amana-key

Política de Privacidade