A Força do Diálogo
Como ultrapassar as barreiras iniciais que temos com o outro para se chegar a um diálogo no nível de profundidade que queremos? 

Eu diria que essa questão da proximidade é algo que precisamos cultivar muito. Há  até uma cena do filme Cavalo de Guerra em que de um lado estão os ingleses e, por trás da trincheira estão os alemães. Ambos estão naquele movimento da guerra e os dois lados vêem um cavalo preso. E é aí que um inglês resolve  botar a bandeira branca, vai ajudar o cavalo e quase leva um tiro. Mas os alemães vêem que ele só está querendo ajudar o cavalo e daqui a pouco um alemão também vai lá tentar ajudar o cavalo. E os dois juntos  começam a trabalhar para soltar o cavalo e vão conversando. O alemão fala muito bem inglês e essa é uma cena fantástica de um processo de ajudar o cavalo – imagino esse processo tenha levado uma meia hora ou uma hora – e acabam ficando próximos. E o que o inglês e o alemão descobrem?  Que o outro é igualzinho a ele. Tem uma família, tem isso, tem aquilo e é um cara legal. Os dois são jovens e de repente ficam próximos. E parece que ficam até amigos, do inimigo. Então esse é um milagre que a proximidade acaba gerando. Mas isso é um caso clássico de pessoas que têm pontos de vistas diferentes – de eu ouvir o outro sem preconceitos.

Esse negócio do ouvir é meio chavão: “Ah, sim, precisamos ouvir os outros.”  Eu digo: “Sim. Mas o desafio é que vocês escutem profundamente, sem defesas, as pessoas que pensam muito diferente de você.”  Porque senão todos os anticorpos aparecem e as pessoas sequer escutam direito. Se a gente acredita na força do diálogo eu acho eu temos que persistir. Muitas vezes é a persistência para ultrapassar essas barreiras iniciais para que a gente consiga chegar a um diálogo no nível de profundidade que é necessário para acertar.

Pela minha experiência eu acho que essa possibilidade sempre existe mas a ideia é persistir para fazer com que o melhor aconteça para ambas as partes, para organização e para a sociedade. Então essa ideia de estar consciente de para quê que a gente quer o acordo ajuda bastante.  É como se fosse um terceiro partido ou uma parte de nós que está o tempo todo dizendo: “Fique concentrado no bem estar do todo, foque no propósito maior.” E nos faz sair das “picuinhas” que podem estar acontecendo no dia a dia.

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