Agorismo x Planejamento
Planejamentos mais detalhados ainda tem espaço em situações em que o “agorismo” deveria atuar?

O conhecido pode às vezes ser o atrapalhante para o inédito. Nessas horas em que a gente sabe até e já há até caminhos bem claros do que é pra fazer, eu acho que o tal do planejamento, do treinamento, da educação, o que fazer e até um tipo de adestramento para que a coisa seja muito rápida é absolutamente possível e interessante. Por outro lado o que a gente vê nas organizações – que isso até numa abordagem mais mecanicista exista e esse é lado bom – mas o lado que pode atrapalhar é quando a gente tem algo que transcende essas coisas previstas e a gente vai lá e quer aplicar o que está previsto para algo que não tem nada a ver necessariamente com aquilo que está acontecendo ou com a situação anterior, melhor dizendo.

Então essa ideia de ter receitas pode ser uma coisa muito boa – se você consegue aplicar a receita certa para o caso certo – por outro lado isso pode limitar porque a pessoa pode ver um negócio que não é aquilo mas a gente tem no repertório só aquelas receitas e não ousa sair no receituário, quando na verdade a situação exige no “agorismo” uma criação instantânea de algo até que ninguém viu antes e ninguém pensou.

Essa capacidade nós temos. A intuição está lá muito presente, está quicando o tempo todo e muitas vezes nós não mobilizamos isso que é precioso em nós. O “agorismo” é aquela ideia de: “Você vê a coisa e já vai para a ação.” E de repente você consegue trazer todos os conhecimentos necessários para aquela equação.

E, de repente ele é – podemos dizer que ele é complementar a essas coisas mais previsíveis, mas eu diria também que: “Precisamos tomar cuidado porque o conhecido pode limitar a nossa viagem em direção ao desconhecido”. No momento em que a gente reconhece isso talvez a gente consiga gerenciar as duas coisas muito bem. O desafio é que o futuro está trazendo coisas inéditas, desafios inéditos, que exigem soluções inéditas e aí que a intuição, a criatividade radical e tudo isso está muito presente e cada vez mais precisamos liberar essa força pra gente conseguir fazer face a todas essas mudanças.

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