COMO AJUDAR O OUTRO?
Como apurar nossa sensibilidade para ajudar o outro de uma forma eficaz e respeitosa.

Essa disposição de entender melhor as pessoas ao nosso redor já é um bom sinal, vocês não acham? Porque tem pessoas que não estão se importando muito com isso, não. Estão lá, vivendo, interagindo ou brigando e essas coisas todas, mas não há um esforço consciente para entender quem está ao seu redor. E esse é um trabalho de uma vida inteira. Talvez seja uma das coisas mais essenciais que nós temos na vida. Tentar entender o outro, porque a pessoa pensa desse jeito, porque age desse jeito? E isso nos leva a compreender melhor pessoas muito diferentes de nós.

Parece que a vida é isso, né? Eu queria entender melhor como meu filho de 5 anos pensa. Como é que ele vê o mundo, como é que o meu filho pré-adolescente está vivendo esse momento? O quê o preocupa? O que ele está tentando ajustar? E aí que essa busca de entender o outro é uma postura fantasticamente positiva e importante. Em vez de julgar, criticar, ficar chateado. Eu sempre digo que ficar chateado tem muito a ver com a expectativa. Aí eu brinco de vez em quando vejo um pai exasperado com o filho adolescente. Digo: “Você queria o quê? Que ele fosse um garoto obediente e previsível? É isso que te deixaria feliz?” Aí o cara já começa a pensar diferente.

Isso sempre me lembra de um dia que eu estava com meu filho, pequenininho ainda, e fui para o Parque Ibirapuera. Eu sentei no banquinho com algumas pessoas ao redor e aquela farra, se joga no chão, se suja todo na areia… Aí eu olhei para um senhor de idade que estava do meu lado, que devia estar com os netos dele, e disse: “Mas que bagunça que eles fazem, né? Ele respondeu: “Mas é isso que mostra que eles estão felizes e estão bem.” A gente não pensa muito sobre isso, né? Essa vitalidade toda que as crianças têm. Mesmo os adolescentes e pré-adolescentes, nessa fase em que eles estão tentando se encontrar, é uma coisa maravilhosa se isso é olhado de um ângulo positivo. E é aí que a nossa experiência de vida, nossa sabedoria, nossa maturidade pode ajudar muito que esses jovens façam uma transição. Se nós nos sentimos responsáveis por ajudar nossos filhos adolescentes a fazerem essa transição, é impressionante como o jeito de olhar muda.

Então, essa ideia de compreender os membros da família, compreender as pessoas que trabalham com a gente, compreender o chefe, compreender o presidente que parece que está num momento em que ele está muito preocupado com os resultados, com o futuro, as mudanças de que os acionistas estão falando. E se buscamos compreender todas essas pessoas, nós ficamos mais felizes e nós nos sentimos mais úteis também. Para poder ajudar; e todo mundo precisa de ajuda de algum jeito ou de outro. E essa cultura do servir que podemos trazer, que podemos ter em nós, vai ajudar e vai conduzir um pouco as nossas relações.

Ao invés de julgar e criticar, a gente olha e busca descobrir como é que a gente pode eventualmente ajudar. Não de forma paternalista, não de forma impositiva. Eu sempre lembro daquela expressão: ajudar de forma não diretiva e respeitosa, imaginando que a pessoa tem aquela faixa em que ela precisa de ajuda e que a gente não pode invadir, de querer ajudar mais. Essa é uma arte que ajuda.

Eu me lembro sempre de um dos livros mais recentes do Edgar Shein, o papa da cultura. Ele, durante muitos anos, acompanhou a esposa que estava muito doente. Sabe aquele aquele período de anos em que a pessoa está doente, não está bem, não consegue fazer as coisas? Ele vivenciou todos esses anos de ajuda à esposa até que ela faleceu. E, depois que ela faleceu, ele escreveu um livro sobre ajuda. A qualidade da ajuda que a gente pode dar para as pessoas. É muito legal. E vocês imaginem alguém que é o papa da cultura organizacional, nessa questão dos modelos mentais, escrevendo um livro sobre essa dose exata de ajuda que a gente pode dar para as pessoas ao nosso redor. E que requer que a gente compreenda essas pessoas pelo prisma delas.

Parece uma coisa fácil, né? A gente fala de empatia como se fosse a coisa mais fácil, mas empatia pressupõe que a gente conheça muito profundamente as pessoas para poder compreender essas pessoas pelo prisma delas. Pode ser até que o prisma não seja lá essas coisas ainda. Ou que o modelo mental ainda não esteja polido o suficiente para pessoa fazer as melhores decisões. Mas eu tenho que compreender que a pessoa ainda não chegou lá. E essa busca de compreensão deixa todos nós em paz, nós que estamos fazendo isso em paz. E você imaginem que é isso que gera harmonia e paz ao nosso redor.