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Como manter o pique em tempos turbulentos?

É preciso bem mais do que excelentes competências técnicas para manter sua própria energia e irradiá-la para os outros quando parece que tudo está se perdendo.

Tarcisio Cardieri
Consultor em Mudança Cultural, Desenvolvimento de Executivos, e Negociação de Alto Nível. Diretor da Amana-Key.

Você participa da evolução de uma organização. Contribui para a superação de desafios, para a criação de novos produtos e serviços, novas tecnologias, para a elevação da imagem dela no mercado e na sociedade. Vibra com os sucessos. Busca caminhos diferenciados para a superação das dificuldades que surgem de tempos em tempos. Dá o melhor de si em todos os momentos. Assume sacrifícios pessoais para levar adiante o propósito dessa organização. Tem orgulho do que faz. E é reconhecido pela dedicação, pelo empenho, pela resiliência.

Até que chega uma crise de proporções monumentais.

As dificuldades inéditas que a organização tem de enfrentar podem ser decorrentes de uma crise maior no ambiente de negócios, na economia, na política. Podem ter origem em decisões de alto risco assumidas pelos principais líderes. Podem ser fruto de uma combinação perversa de várias causas, o que é o mais provável. Para superá-las é preciso tomar medidas duras. E elas são implantadas. 

Você talvez não seja convidado a participar das decisões. Nem os demais colaboradores da organização, que construíram seus momentos de glória. Vocês só recebem notícias e determinações sobre o que fazer.

Analisando as decisões que vão sendo tomadas, você concorda com as linhas gerais delas. Os aspectos técnicos, como reduções de custos, melhorias em logística, aperfeiçoamento dos processos, adoção de novas tecnologias, substituição de sistemas ultrapassados, estabelecimento de novos indicadores de desempenho, eliminação de redundâncias, enxugamento das estruturas, tudo isso faz sentido. Mas alguma coisa está faltando.

As pessoas pode estar sendo ignoradas.

Os sentimentos, as emoções, a energia das pessoas proveniente da identificação delas com o trabalho que realizam não fazem parte da equação para a recuperação do empreendimento. Empreendimento que nunca foi obra de um pequeno grupo de especialistas. Ele alcançou sucesso porque as pessoas acreditaram inquestionavelmente naquilo que faziam. E, com essa crença inabalável, contagiaram colegas, clientes, fornecedores, as comunidades em que a organização atua. Contribuíram para a disseminação de uma imagem quase irretocável, que favoreceu os negócios. As pessoas queriam trabalhar para a organização. Os fornecedores faziam questão de se associar a ela. Os clientes a tinham como parceira preferencial. Os concorrentes a respeitavam e miravam seu exemplo. As comunidades em que ela atuava mostravam admiração por ela. Todos queriam fazer parte de seu ecossistema.

Você sente que, embora os movimentos pela recuperação sejam necessários, eles terão alcance limitado e vida curta. Tem certeza de que se todos os colaboradores pudessem participar do resgate dessa instituição, que faz parte das suas vidas, os resultados seriam imensamente melhores. Mais profundos. Mais amplos. Mais duradouros.

O que fazer? “Pedir o boné” e ir buscar outra coisa para fazer na vida? Procurar alguma organização em que a participação por inteiro seja incentivada e valorizada? Tentar, mesmo que com grandes dificuldades, abrir canais de participação? Aguardar pacientemente que surjam alguns bons resultados para então buscar influenciar os próximos passos?

A escolha pode estar associada à razão de ser da organização. Para que ela existe? Quais necessidades das pessoas e da sociedade ela atende? Se ela deixar de existir, quem vai sentir sua falta? Por que vai sentir falta? Como as pessoas vão buscar satisfazer suas necessidades que não serão mais atendidas pela organização? Será que você pode ser um agente do resgate daquela razão de ser?

A sua decisão será pessoal e intransferível. Baseada também em seus valores. Em seu sentido de responsabilidade para com as pessoas que dependem da organização. Levando em conta o seu bem-estar no sentido mais amplo.

Você, hoje, pode estar passando por esta situação. Talvez alguns amigos estejam. Talvez, no passado, você já tenha vivido isso. E o momento atual definitivamente coloca esta situação para cada um de nós.

Que tal conversar com mais pessoas sobre este assunto? Encarar decididamente desafios reais ou potenciais pode ser um grande passo para manter a serenidade em momentos de turbulências. E evoluir como profissional e como ser humano. Afinal, viver é um aprendizado perene. Reinvenção permanente.

Uma dica de leitura: Reimagine sua Vida, de Ricahrd J. Leider e Allan M. Webber.

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