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Desenvolva sua resiliência. Agora é a hora.

Por que algumas pessoas e comunidades que passam por experiências difíceis são capazes de superar os obstáculos e alcançar sua realização com criatividade e esperança enquanto outras entregam-se à desesperança e ao imobilismo?

Marco Pellegatti

O conceito original de resiliência vem da Física e da Engenharia. A resiliência de um material corresponde à máxima energia de deformação que ele é capaz de armazenar mediante determinada solicitação externa, sem sofrer deformações permanentes. Diferentes materiais apresentam diferentes módulos de resiliência, intrínsecos à sua composição.
Há uns 30 anos a Psicologia emprestou essa palavra das ciências exatas para aplicá-la ao entendimento de como as pessoas enfrentam adversidades. Sua definição ainda não é tão clara e precisa quanto na Física ou na Engenharia. Mas há um consenso razoável de que a expressão pode ser bem aplicada à explicação dos processos que pessoas, grupos e organizações mobilizam para a “superação” de crises e adversidades. Há um entendimento de que a resiliência, concebida como a habilidade de voltar rapidamente para o seu estado normal de saúde ou de espírito depois de passar por doenças, dificuldades etc. não é uma característica inata, absoluta das pessoas. Suas bases são individuais mas também ambientais. E o seu grau não é fixo, e sim, pode variar de acordo com as circunstâncias.
Essa perspectiva está base da visão da resiliência como um conjunto de traços e condições que podem ser adquiridos e replicados. Nesta nota vou compartilhar uma compilação de algumas descobertas sobre esses traços e condições.

 

Como você pode desenvolver sua resiliência?

1. Descubra o propósito e o significado.

A probabilidade de desenvolver resiliência e ser persistente face a adversidades aumenta quando aquilo que estamos fazendo está ligado a algo que tem significado para nós.

O psiquiatra e psicanalista Viktor Frankl, que sobreviveu às agruras de quatro campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, criou toda uma escola de análise e terapia baseada na existência de significado como o fundamento da capacidade do ser humano de enfrentar, sobrepor-se e ser fortalecido por experiências de adversidade. Experiências vividas em campos de prisioneiros confirmam que até a sobrevivência física depende da capacidade de orientar a própria vida em direção a um “para que coisa” ou um “para quem”. Nesse sentido, o interesse mais profundo da pessoa resiliente não é olhar para si mesmo, mas voltar seu olhar para o mundo exterior, em busca de um sentido. A pessoa se torna mais resiliente justamente na proporção em que esquece de si mesma enquanto se dedica a um trabalho ou a uma pessoa.

Neste momento, onde você encontra propósito e significado à sua maneira, partindo de você mesmo, do seu potencial e das suas experiências?

 

2. Ajude e seja ajudado.

A probabilidade de desenvolver resiliência e ser persistente face a adversidades aumenta quando aquilo que estamos fazendo está ligado a algo que tem significado para nós.

Receber ajuda de outras pessoas faz com que você tenha energia e força para continuar. E dar ajuda a outras pessoas tem exatamente o mesmo efeito.

Ter uma rede de pessoas que apoiem você é essencial para que você não apenas enfrente as adversidades, mas aprenda e cresça com elas. Quando vemos outras pessoas atingirem objetivos que muitas vezes parecem quase impossíveis de serem atingidos, fortalecemos nossa crença de que nós também somos capazes de realizações extraordinárias. A nossa força de vontade cresce e junto com ela nossa engenhosidade e persistência. E se mobilizarmos essa energia para ajudar outras pessoas ingressamos em um círculo virtuoso vitorioso. Ao prestar ajuda aumentamos o sentimento de significado de nossa vida. E muitas vezes ajudamos pessoas nas situações mais difíceis a perseverarem e seguirem adiante.

Você tem aproveitado bem as inúmeras oportunidades de ajuda que o cercam em seu dia-a-dia? Tem perguntado com o coração aberto: “como posso ajudar você neste assunto?” E tem pedido ajuda sem orgulho, com consciência de suas próprias limitações?

 

3. Celebre as vitórias diárias, por menores que sejam.

De tudo que pode propiciar emoções positivas e fortalecer a motivação em nosso dia a dia, o mais importante é sentir que estamos progredindo, conquistamos algo de valor e hoje somos um pouco melhores do que ontem.

Quanto mais frequentemente as pessoas experimentam esse sentimento de progresso, mais probabilidade têm de serem criativamente produtivas a longo prazo.  O progresso diário, mesmo que muito pequeno, pode fazer toda a diferença na forma como as pessoas se sentem e agem. Essa constatação resume duas décadas de pesquisas realizadas por estudiosos como Teresa Amabile, da Universidade Harvard, e vários outros. Parar diariamente por um momento para apreciar as pequenas vitórias e coisas boas que aconteceram durante o dia é muito mais motivador do que pensar que um dia no futuro, após uma grande conquista pessoal ou profissional, você finalmente será feliz.

Qual foi a sua pequena conquista hoje? Você a celebrou?

 

4. Expresse gratidão.

Pessoas que expressam regularmente sua gratidão em relação a outras e à vida em geral sentem-se mais otimistas quanto ao que vem adiante e tem maior probabilidade de progredir em direção a seus objetivos pessoais.

Por séculos filósofos e teólogos têm escrito sobre a gratidão como uma virtude do espírito humano. Mais recentemente, descobertas da neurociência e da psicologia cognitiva têm codificado esses ensinamentos na chamada “ciência da gratidão”. Diversos estudos constataram que a prática diária e disciplinada de gratidão resulta em elevação de estados positivos de alerta, entusiasmo, determinação, atenção, energia e disponibilidade a ajudar outras pessoas. A expressão regular de gratidão contribui até para maior duração e qualidade do sono, além de aumentar a empatia e a disposição a ajudar outras pessoas.

Como você vai expressar sua gratidão hoje? E amanhã? E depois?

 

5. Recorra ao humor.

Rir, mesmo em situações difíceis ou atemorizantes, nos ajuda a lidar com o estresse e seguir na vida com mais leveza e entusiasmo.

Humor é a capacidade de rir e fazer rir. É uma característica tão universal e inata, que até mesmo bebês cegos e surdos dão risada. O benefícios do humor não são apenas emocionais. O humor brinca com conceitos e ideias. Descobrimos ou atribuímos graça a algo sempre que estamos observando essa coisa por uma perspectiva diferente. Pessoas que permanecem presas em situações estressantes e sentimentos de desesperança estão em geral presas a uma única forma de pensar. Quando você busca um olhar jocoso, bem humorado, está por definição encarando a situação de um jeito diferente. E nesse olhar encontra soluções para problemas que à primeira vista pareciam insolúveis. Mas cuidado: esse efeito é menor  quando o humor é agressivo, usado para criticar ou manipular os outros com sarcasmo, ironia e provocações. Ou quando é autodepreciativo, de quem ri de si mesmo como mecanismo de defesa. O resiliente é aquele que pratica um humor agregador, que conta piadas e é engraçado com o intuito de unir as pessoas e fazê-las se sentir bem. É o tipo de humor que reduz tensões num grupo – e, por isso contribui também para a resiliência coletiva.

Você se dispõe a fazer a escolha pela alegria genuína e enxergar que além das dificuldades sempre existe um lado positivo que pode ser estimulado e a partir do qual podemos rir e fazer outros rirem?

 

Para encerrar compartilho uma citação de Viktor Frankl:

“Podem roubar tudo de uma pessoa, salvo uma coisa: a última das liberdades humanas – a escolha da atitude pessoal frente a um conjunto de circunstâncias – para decidir seu próprio caminho.”

Minha sugestão: decida pela resiliência. Está a seu alcance.

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