O caminho para a evolução não passa pelas reformas

Para o executivo-estadista, o foco fundamental deve estar na competência de criar soluções inéditas.

Oscar Motomura

Como um “executivo-estadista”; veria a atual situação brasileira? O executivo-estadista é o líder que, à frente de empresas ou países, atua sempre dentro de um contexto maior. Ele tem consciência de que tudo que ele faz ou deixa de fazer pode ter impacto significativo sobre a sociedade, para o bem ou para o mal. Mais do que isso, o executivo-estadista faz acontecer. Não fica só na teoria. Não fica à espera. Ele age sobre a realidade. E porque ele age de forma
estratégica, consciente das dificuldades técnicas e humanas que vai encontrar, os resultados aparecem.

Se tentarmos enxergar o Brasil pela visão do executivo-estadista e pela perspectiva de gestão, veremos que a crise brasileira não é de natureza econômica, muito menos técnica. E se formos à origem dos problemas, à causa das causas das causas, é possível ver que o problema é de fundo eminentemente estratégico. Estratégico num sentido amplo: no sentido da inovação, da busca de caminhos inéditos, do uso de uma criatividade radical. No fundo, a crise que vivemos hoje é de competência. Não a competência de fazer bem o conhecido, mas a competência de criar soluções inéditas para problemas inéditos.

Novos problemas surgem todos os dias. Mas como ficam os anos e anos de problemas não resolvidos que, acumulados, fazem a lacuna de hoje parecer algo “ingerenciável”;? É exatamente porque o problema acaba se tornando ingerenciável que precisamos de criatividade radical. “Ingerenciável”; significa que o problema não pode ser resolvido por meio dos processos conhecidos. Para alguém com cabeça estratégica, a questão se resume a isso. É por isso que ele busca caminhos inéditos. É por isso que ele aposta suas fichas em inovação radical e não perde tempo tentando aperfeiçoar receitas que não estão mais funcionando.

Minha tese: precisamos de inovações radicais em todas as questões-chave da vida nacional. Não só na área econômica, mas também no âmbito social. Isso parece óbvio hoje para a grande maioria dos brasileiros. O que não é tão óbvio é a necessidade de inovações radicais na área política, nas estruturas de poder, da própria democracia. E, principalmente, nas áreas de gestão e estratégia de país. Com amplo foco nas dimensões humana e cultural.