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Técnico x Humano
Porque alguns colaboradores só conseguem estabelecer uma relação de medo com seus líderes? Esta é uma questão dos líderes ou uma questão dos liderados?
Quando eu ouço falar de medos, eu fico imaginando sempre quantos medos são imaginários e quantos medos são justificáveis. Então, quando nós temos líderes autocráticos que, deliberadamente, lideram trazendo medo para as pessoas e a gente vê que é algo externo e real. Está acontecendo e isso acaba gerando uma série de crises nas próprias equipes que praticamente vivem o tempo todo num contexto de medo. Medo do líder e medo também de sofrer as consequências de fazer face ao líder e o medo de perder o emprego. Então isso é parte real.
E a outra parte é uma coisa imaginária e que as pessoas imaginam que o líder agirá de um certo jeito se eu contrapor a ele. Especialmente em culturas em que foi havendo uma deterioração desse processo: de as pessoas não poderem estabelecer diálogos robustos com a liderança porque isso normalmente levaria a uma demissão.
Agora, isso é típico de uma liderança autocrática que era muito forte no passado? Sim. Numa democracia que está evoluindo muito mais rapidamente do que a gente imagina – a partir de novas gerações que vão experimentando comportamentos completamente diferentes do passado – o lado bom, porque tem um lado também negativo, aí a gente vê que “por quê não?” questionar. E, dependendo da forma de questionar é algo que faz com que a organização evolua. Parece que nós temos esses todos os lados: de um lado, o líder que precisa se preocupar em criar um clima muito mais aberto, livre de tensões e estresse que faz as pessoas adoecerem e até comprometer em resultados. Cria-se esse clima. E, por outro lado, mesmo quando o líder tem esse estilo muito mais aberto e cria esse contexto, sempre haverá pessoas que por algum tipo de trauma anterior ou por algum tipo de formação psicológica, terão sempre medo de autoridade. Qualquer que seja ela.
Essas questões precisam ser muito bem trabalhadas. O próprio líder pode trabalhar, a área de recursos humanos pode ajudar e, eventualmente em alguns casos as pessoas irão precisar de ajuda para superar esses medos crônicos que têm nas relações em geral.
Isso tudo é uma via de duas mãos. Os dois lados precisam ser trabalhadas muito bem e o ideal é que a gente tenha sempre líderes muito mais abertos que tratam as pessoas de igual para igual, criam esse contexto sem medos e, por outro lado, as próprias pessoas tenham que se trabalhar e até pedir ajuda quando, mesmo nas situações mais favoráveis, as pessoas continuam fazendo com que os medos impeçam essas pessoas de serem exatamente quem são e façam valer aquilo que precisa ser feito para que o melhor aconteça em termos de resultados para a sociedade como um todo. Via de duas mãos.

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