Senso de julgamento e nova consciência
Como o nosso senso de julgamento pode nos levar a uma visão mais ampla de mundo, com sabedoria para lidar com grandes desafios para que o nosso nível de consciência se eleve continuamente.

Estamos começando a associar cada vez mais o senso de julgamento à consciência. Consciência de que? Consciência de como é que esse todo funciona, como é que a vida funciona? E, de repente, no momento em que nós passamos a ter um conhecimento mais profundo de como é que a vida funciona, a gente começa a ter uma visão mais refinada das coisas ao nosso redor. E o nosso bom senso vai subindo de patamar. Então, isso é absolutamente necessário. E quando a gente fala de consciência significa elevar o nível de consciência. Então, sem entrar em muita coisa abstrata, muitas vezes nós temos consciência do nosso pequeno mundo, nossa empresa, nosso setor, nosso ramo. Mas, na medida em que a gente vai elevando a nossa consciência sobre o fato de que nossa empresa está num contexto maior, em que a gente se vê como parte do contexto maior do planeta. E transcendemos essa ideia da sustentabilidade. A gente pensa na vida – nós estamos num contexto maior da vida – de quais são os princípios que regem a vida. É aí que nós estamos elevando a nossa percepção de como é que as coisas ao nosso redor funcionam e a nossa capacidade de agir naqueles pontos de acupuntura que podem fazer a transformação acontecer. A gente começa a visualizar isso.

Parece que o senso de julgamento, esse bom senso, é algo que nós precisamos trabalhar cada vez mais. E num contexto em que a gente tem uma heterogeneidade impressionante no Brasil. Se a gente olha um pouco, nós temos vários “Brasis”. Então nós podemos nos olhar e julgar que pelo nosso nível de consciência E ficamos totalmente impermeáveis a qualquer tipo de manipulação.

Eu gosto de ver líderes assim. Porque se eu estou na posição de liderança e eu sou manipulável, eu não sou líder. Então, tem alguma coisa aqui muito importante para nós refletirmos. Junto com esse privilégio de termos senso de julgamento cada vez mais refinado, vem a responsabilidade de cuidar para que a gente consiga aperfeiçoar o processo todo, eliminar as fontes de manipulação do povo, dos vários “Brasis”. E com isso a gente consiga, na verdade, levar ao bem comum. Não é um processo fácil. Aliás, muitos de nós podemos estar pensando que é impossível. Mas vocês todos sabem que parece que é nessas causas aparentemente impossíveis que está o nosso valor. Porque essas são as causas que realmente valem a pena gente se envolver. Nas causas fáceis talvez a gente nem precise estar lá.

Esse é outro ângulo que eu traria também porque é exatamente nessas equações impossíveis que está a nossa grande motivação. De a gente testar a nossa capacidade de resolução dessas equações difíceis que temos ao nosso redor. Temos que nos preparar, porque quando a gente fala de senso de julgamento, nós temos que exercer o senso de julgamento em situações cada vez mais complexas. A gente acha que as equações que temos na mesa são difíceis? Vamos nos preparar porque as coisas vão ficar cada vez mais complexas. Complexas, difíceis e talvez cada vez mais impossíveis.

Eu tenho acompanhado – e acho que todos vão ter que acompanhar também – o que está acontecendo nesse conjunto de como é que a vida funciona. Nós temos que olhar também o que está acontecendo no mundo. Aparentemente há sinais de outra grande recessão que tenhamos de enfrentar no mundo. Assim como a crise de 2008, há coisas que estão se acumulando e que podem fazer com que a gente imagine coisas difíceis que poderão acontecer no contexto mundial. E que podem fazer com que o efeito chegue ao nosso próprio país. É nesse sentido que, na medida em que nós temos essa visão mais elevada, é que nosso senso de julgamento está sendo aperfeiçoado o tempo todo. Para nós termos um bom senso, sabedoria para lidar com esses grandes desafios, vamos ter que refinar a nossa visão mais ampla de mundo, como a vida funciona e com isso fazer o nosso nível de consciência se elevar continuamente.

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